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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Universidade de Viena - Contestação do processo de Bolonha

Estamos perante um black-out informativo, todo o movimento foi completamente suprimido de todos os noticiários não germanófonos, com medo de que alastrasse o movimento pela Europa fora. Apesar disso, o facto é que esta ocupação se alargou a quase todas as universidades da Austria, com ecos fortes e solidariedade activa por parte de centros universitários da Alemanha e Suíça.
Agora apresenta-se a Jornada internacional contra a comercialização da Educação, o mesmo é dizer contra «Bolonha». Milhares e milhares de estudantes no mundo inteiro estarão realizando acções diversas, nesta semana.
Contam com a solidariedade e apoio de professores, de personalidades públicas, artistas, jornalistas, etc...

Gostava que as pessoas em Portugal dessem notícia (ao menos isso) e mostrassem um pouco de interesse, pois realmente é pela acção que algo poderá mudar, neste contexto! Se não há uma acção concreta ao menos que haja um espalhar da informação, uma discussão alargada e apaixonada sobre as acções levadas a cabo por outros!

Solidariedade,
MB

in a sinistra ministra, 1/11/2009




Mais:
Thousands of students occupy Austrian universities
Universities occupied, 50,000 students on the streets
General strike and occupation of the Academy of Fine Arts Vienna

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Terça-feira, Maio 05, 2009

Alain Refalo - Em consciência, recuso-me a obedecer

Alain Refalo
A acção que desencadeei através da carta que dirigi ao meu inspector, na qual o informo de que, em consciência, me recuso a obedecer a determinadas decisões ou recomendações emanadas superiormente no início do ano lectivo, foi uma acção cuidadosamente ponderada. Ao mesmo tempo, reflecte situações já antigas pois, nos últimos meses, tivemos muitas reuniões, dedicámos tempo a discutir com colegas e com pais de alunos, onde analisámos o conjunto das medidas ou reformas que nos caíram em cima, reformas para as quais nunca fomos ouvidos nem achados e que, consideradas de uma ponta à outra, concluímos que iriam conduzir ao desmantelamento da educação nacional. Pelo que creio ter havido um amadurecimento do processo que me levou, já no início do ano, a tomar algumas decisões para as minhas aulas que eram conformes às conclusões que tirámos e, ao fim de algumas semanas, decidi dar conhecimento formal ao meu inspector sobre tais decisões, além de as publicitar para o público em geral num blogue. O que se verificou nos últimos quinze dias foi que outros professores retomaram o modelo de carta que publiquei no blogue, usaram os termos da carta que eu escrevi, escreveram eles próprios outras cartas dirigidas aos seus inspectores ou aos seus reitores e deram disso conhecimento. público Assim, publicamos todos os dias uma nova carta individual no nosso blogue. Mas, mais interessante ainda, surgiram iniciativas colectivas no seio das escolas, os professores juntaram-se, redigiram as suas próprias cartas, assinaram-nas colectivamente e enviaram-nas aos respectivos inspectores. Muito recentemente na Euro, uma intersindical, o conjunto dos sindicatos da Intersindical de L'Enseignement de l'Euro consertaram-se sobre um modelo de carta que vão difundir largamente entre os colegas professores e essas cartas serão enviadas colectivamente a 17 de Dezembro à Inspecção Escolar.
Encontramo-nos portanto no meio de um movimento colectivo que exercerá uma pressão forte sobre o ministério. É verdade que a desobediência pedagógica ou a desobediência civil não fazem parte dos meios de acção tradicionais dos sindicatos, não faz parte da cultura sindical. Os sindicatos são mais propensos a acções como as manifestações, as petições ou as greves. Creio termos hoje atingido, infelizmente, os limites destes métodos de acção na medida em que o próprio governo proclama abertamente que está pronto a resistir a esse tipo de acções, está pronto a suportá-las. O Sr Sarkozy declarou mesmo que, quando há hoje uma greve em França, já ninguém repara nela, o que é bem verdade. O governo está preparado para enfrentar um movimento grevista maciço. Portanto, a questão que se coloca é: como podemos nós alterar a nosso favor a correlação de forças? Como iremos nós radicalizar - no bom sentido - a luta, na direcção de uma marcha inédita, feita de desobediência civil e pedagógica, que permita finalmente aos professores apropriarem-se de novos instrumentos de luta. Exige-se aos professores, em suma, descartar, recusar um certo número de reformas, contrariarem tais reformas. Exige-se agora, finalmente, aos professores (...).
Assim, coloca-se à consciência uma questão forte: Será que, enquanto professores e funcionários, estamos condenados a colaborar no desmantelamento da educação nacional? Será que, ao obedecermos ou ao nos mantermos silenciosos, não assumimos uma responsabilidade? Creio que aí encontramos um incentivo, um posto de observação, a partir do qual cada professor, individualmente ou em conjunto, pode decidir-se a enveredar pela resistência. Não apenas resistência por palavras, mas também por actos, actos concretos que comprometem, que levantam o risco de sanções. Creio ser inédito na educação nacional, não apenas que se tenha tomado a iniciativa de desobedecer, como a de se tornar pública essa desobediência. É a publicitação dessa desobediência, pela amplitude social que assume, que tem a possibilidade de alterar a correlação de forças.
Esta acção de resistência pela desobediência não é apenas uma acção de contestação, uma acção de oposição. É também uma acção que se destina a construir, a propor. Claro que o modelo de escola a que aspiramos não é o da escola-competição, não é o modelo do escalonamento dos alunos, não é o do despique entre os estabelecimentos escolares, creio que o modelo a que aspiramos é o modelo em que as crianças reencontrarão o prazer em se dirigirem à escola, reencontrarão o prazer em aprender e, no plano pedagógico, a empreender projectos cooperativos capazes de as pôr a construir coisas em conjunto, a aprender em conjunto, a se ajudarem mutuamente. Creio, finalmente, tratar-se de uma escola ao serviço de uma sociedade da solidariedade, de uma sociedade onde não estejamos uns contra outros mas uns com outros. Creio ser também este o sentido do actual movimento. Ao mesmo tempo que recusamos, que contestamos e que desobedecemos, sem mesmo esperarmos que a lei mude, concretizamos alternativas pedagógicas que despertem a chama da cooperação e da solidariedade.
Relativamente à minha situação pessoal, de momento decorre um inquérito administrativo. Quer dizer que o inspector da Academia deu ordem ao inspector da Circunscrição para elaborar um relatório, no qual devem constar os pontos de desobediência. Este último procurou-me para averiguar as minhas motivações e certificar-se que as minhas palavras durante as entrevistas confirmam aquilo que deixei escrito. Agora vem às minhas aulas com regularidade para verificar se aquilo que disse e que escrevi corresponde exactamente àquilo que faço, ou inversamente. Está portanto na fase da redacção do relatório baseado naquilo que observou durante as visitas às minhas aulas. Depois disso, penso que a Inspecção da Academia irá convocar-me e mais tarde virá o tempo de reflexão sobre a sanção, caso venha a ter lugar. É preciso saber que hoje decorre uma petição na internet, no sítio do SNIPP para me apoiar e exigir que não recaia sobre mim qualquer sanção. Esta petição já foi assinada por muitos milhares de pessoas. Está a ser constituído um comité de apoio. Os pais dos alunos da minha classe têm uma proposta que será dirigida à Inspecção da Academia junto com uma carta na qual expressam a sua preocupação com o que acontecerá com os meus alunos.
Sou Alain Refalo, professor desde há dezoito anos; além disso, sou um militante da não-violência desde há mais de vinte e cinco anos. A não-violência é uma forma de luta, uma forma de resistência. Tem já uma longa história a não-violência, desde os combates de Gandi e de Martin Luther King e é nestes combates que hoje me encontro, é nesses combates que hoje me inspiro. Creio ser um professor militante, muito simplesmente.

En conscience, je refuse d’obéir
(Tradução da entrevista filmada)

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Quarta-feira, Março 04, 2009

Rosário Gama - 3ª reunião dos presidentes de Conselho Executivo das escolas

PCE’S VOLTAM A REUNIR EM LISBOA,
DIA 21 DE MARÇO.


CAROS COLEGAS PCE’S, INSCREVAM-SE!

10 de Janeiro e 7 de Fevereiro são datas que ficarão para a história da educação como o inicio da movimentação de um grupo de PCEs atentos ao que se passa à sua volta, inconformados com as “investidas” do Ministério da Educação, solidários com os colegas professores e descomprometidos relativamente ao poder. Queremos continuar o nosso movimento e quanto mais vezes nos juntarmos, quanto mais unidos estivermos maior será a nossa força reivindicativa.

Não podemos baixar os braços mesmo que alguma pontinha de desilusão tenha acontecido devido à tomada de posição de alguns professores que, com medo das ameaças da DGRHE, não confiaram na nossa tomada de posição e entregaram os objectivos. Mas temos os outros todos, aqueles colegas que confiaram em nós e que se mantiveram coerentes na luta; para com esses, a nossa responsabilidade aumentou. Temos que nos manter unidos e trazer cada vez mais PCEs para a nossa causa.

Pedimos pois a cada um dos que estiveram em Santarém e em Coimbra que não deixem de estar presentes em Lisboa no dia 21 de Março e que tragam mais um colega para sermos ainda mais.

Mais um apelo para que a Isabel (organizadora do Encontro de Lisboa) não passe as aflições que eu passei com a organização em Coimbra: Inscrevam-se rápido e comuniquem, por favor, a vossa presença para podermos saber quantos colegas irão estar presentes.

Saudações.
Rosário Gama

Divulguem! Eu já estou a divulgar!


Via A Educação do meu umbigo, graças à persistente vigilância de Ana Henriques

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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Garcia Pereira - Parecer jurídico sobre legislação para a Educação

Foi publicada hoje a versão definitiva do parecer preliminar sobre legislação do Ministério da Educação deste governo, que havia sido pedido por um grupo de professores ciberneticamente ligados ao blog A Educação do meu Umbigo. A iniciativa foi já secundada por milhares de professores espalhados por todo o país, que agora dispõem de argumentos sólidos para que a legalidade e a normalidade sejam repostas na vida escolar, anulando-se os efeitos de uma equipa ministerial que brilha pela sua ignorância em matéria de leis.
O texto pode ser agora usado por todos os professores, nas suas escolas ou em tribunais.
O texto contém 64 páginas e ocupa 300 kilobytes.
Para o obter, carregue aqui.

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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Paula Montez - Não estamos sozinhos

Recebido por email da Kaotica. (AF)




Luta dos professores em Portugal


Não nos conformemos! Não estamos sozinhos!

"Cada um deve lutar no sítio em que estiver, no seu meio, com os seus pares, nas oportunidades que for construindo."

E nós? Também temos a nossa parte de responsabilidade. Esperar que dali saia a resolução para o meu problema é errado. Se tenho um problema EU tenho de agir!

Até agora pode dizer-se que a luta foi fácil.

Bastou-nos juntar a nossa voz, o nosso nome ao de dezenas de professores do nosso agrupamento, ao de milhares de professores de todo o país.

Agora, confrontados com um papel que exige que assumamos individualmente a nossa recusa ou aceitação desta avaliação e desta carreira dividida, é chegada a hora de mostrarmos ser capazes de defender as nossas convicções com coerência e coragem.

Ninguém nos disse que esta luta ia ser fácil … ou rápida.

De facto não o é.
  1. Ninguém é obrigado a entregar objectivos individuais
  2. Ninguém está a obrigado a outro procedimento que não seja o da auto-avalização
  3. Nenhum professor concorda com este SIMPLEX porque ele nega tudo o que é fundamental numa avaliação de professores – o seu envolvimento com os seus colegas e alunos no ensino e nas aprendizagens.
  4. Este SIMPLEX revela as verdadeiras intenções do ME – impedir a progressão, poupar à custa dos professores, semear desconfianças que alimentem hierarquias dentro das escolas.


Mas atenção não é preciso que essa recusa passe a escrito, tão simplesmente. Basta não o fazer.

Se forem poucos a assumir com coragem aquilo que a maioria deseja, podem passar por momentos difíceis … e isso não é justo, pois não? A Força desta nossa luta é a unidade de todos em torno de objectivos comuns. VAMOS CONTINUAR UNIDOS!

Para isso, o que podemos fazer?

MANTER A SUSPENSÃO EM CADA ESCOLA, EM CADA AGRUPAMENTO, APOIANDO-NOS UNS AOS OUTROS. VOLTANDO A FAZER TUDO DE PRINCÍPIO COMO JÁ FIZEMOS.

Não é verdade que já passámos pelos 2/2008 e 11/2008? Não resistimos? Não fomos obrigando o ME a recuos e ao descrédito?

Parar agora é morrer! Estou de acordo com a estratégia:
  1. 13 de Janeiro encher salas de reunião – fazer bons plenários
  2. 19 de Janeiro fazer uma grande greve – voltar a fechar escolas
  3. Daí para a frente manter a suspensão nas escolas e intervir durante os processos de negociação que vão decorrer com os sindicatos. Penso que será muito importante para que os Sindicatos aproveitem as nossas sugestões e propostas e vão construindo a partir delas


MÃOS À OBRA, COLEGAS!



Ilustração: bilros & berloques

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