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Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Paulson e Bernanke - Pedido de empréstimo

Stewart: Então, meus senhores, Paulson, Bernanke, é um prazer vê-los aqui… novamente.

Paulson: Quero dizer-lhe que esta não é uma posição na qual eu queria estar. Eu não queria estar nesta posição…

Stewart: Descontraia-se, meu caro… sendo avaliador de empréstimos ouço isto todos os dias. Agora passemos a algumas formalidades. Como foi a sua carreira profissional?

Paulson: Fui director executivo da Goldman Sachs desde… Janei… Desde Maio de 1999 até sair, para vir para cá, em meados de 2006.

Bernanke: Nunca trabalhei em Wall Street, não tenho esses interesses nem essas ligações.

Stewart: Não estejam nervosos rapazes. Ambos são brancos, ambos são ricos, logo é claro que isto não é um daqueles empréstimos “sub-prime” com que nós tivemos de lidar. Muito bem, chega de conversa fiada, passemos aos números. Quanto é que estão a pedir?

Paulson: 700 mil milhões de dólares.

Stewart: 700 mil milhões? É que, segundo os meus registos, já cá esteve quatro vezes este ano, a pedir 25 mil milhões para a indústria automóvel, 85 mil milhões para uma companhia de seguros, 200 mil milhões para umas tais de Fannie e Freddie não-sei-quantas…

Paulson: É preciso mais.

Stewart: Pois, bem… Só de aceitares um cheque, ó careca. Aliás, um cheque careca. Um cheque sem cabelo… Digo cobertura… Só mais uma perguntas, minha gente, para quem é que vai esse dinheiro? Para o povo, calculo?

Paulson: Uma vasta gama de instituições… Bancos grandes, bancos pequenos, de depósitos e empréstimos, cooperativas de crédito…

Stewart: Porque é que não disse logo? Eles são de confiança, vão devolver-nos o dinheiro, certo? Barbudo (Bernanke), tens estado para aí calado.

Bernanke: Vai ser recuperada uma percentagem substancial, mas se será o total é difícil saber.

Stewart: É difícil saber… Interessante. Normalmente exijo uma resposta melhor, mas tendo em conta que foram vocês que nos meteram nesta crise, não terei o mesmo grau de exigência. Vamos ver se percebi bem: querem que vos demos quase um bilião de dólares para vocês os entregarem a bancos falidos, geridos por tipos que usam notas para acender os charutos e o melhor que me conseguem dizer é que talvez nos devolvam algum do nosso dinheiro?

Bernanke: Os contribuintes americanos verão o seu dinheiro bem empregue. Não consigo prever o futuro e já me enganei diversas vezes.

Stewart: Sabem que mais? Que se f… levem lá o dinheiro. Mais um empréstimo perdido? Tanto faz.



Transcrição de Diogo.

Não perca o video com legendas em português.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Teixeira dos Santos - o Timming certo

Teixeira dos Santos

- Posso entrar?
- Claro meu caro jovem. Sente-se à vontade. Em que posso ajudá-lo?
- Diga-me Dr Teixeira dos Santos, o Sr considera-se um democrata?
- Mas é claro. Que pergunta...
- Confia então que o povo português sabe optar em consciência face aos diversos programas?
- Isso resulta de eu ser um democrata.
- Como encara a realização de um programa?
- No partido, faço sempre questão que todos tenham em consideração os dois níveis em que as questões programáticas estão divididas.
- Como?
- Já explico. Há o programa antes das eleições e o programa depois das eleições. Nunca se deve confundir uma coisa com a outra.
- É por essa razão que propõe um orçamento de Estado para 2009 com derrapagem do défice comercial, condenando os jovens de hoje ao pagamento de juros na sua vida profissional futura? Foi o que eu ouvi o Dr Medina Carreira dizer.
- Olhe, meu querido amigo. Está na hora de começar a perder a ingenuidade. Compreenda que o homem da rua não tem discernimento para avaliar essas questões técnicas. No novo timming eleitoral, aberto com a proposta de Orçamento de Estado que entreguei ontem ao parlamento, estão acautelados os factores necessários para uma futura vitória do Partido Socialista. Nós, os dirigentes do partido, pomos cada macaco no seu galho: por um lado, as elites conscientes do interesse geral. Entre nós, falamos à vontade, sabemos as consequências de cada acto que praticamos. Mas como vê, por um infeliz acaso da nossa história, temos que submeter-nos a um escrutínio de quatro em quatro anos. Isto já foi bem diferente no passado, nos saudosos tempos dessa figura ímpar que foi Salazar. Não quereria, já agora, que fôssemos confiar na capacidade de escolha de gente que não sabe ao que anda: era o que mais faltava. Infelizmente, temos que usar de subterfúgios, dizer as verdades apenas quando é conveniente.
- Sr Dr, mas actua dessa forma porque está sinceramente convencido que é o interesse geral que defende? Há quem diga que é apenas o interesse de uma clientela muito restrita do Partido Socialista ou, quando muito, dos partidos do centrão.
- Não estou a ver o ponto. Interesse geral é apenas uma expressão cómoda. A Comunicação Social tem a incumbência de difundir a imagem da defesa do interesse geral. Os ignaros devem viver no mundo da ilusão, coitados. Mas o meu caro jovem, distinto e promissor elemento da nossa elite, tem obrigação de ver mais longe. A governação é a arte de manter a populaça endividada. Só assim continuaremos a usufruir do trabalho do dia-a-dia desses acéfalos armados em eleitores.

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