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Sábado, Setembro 27, 2008

Um insulto aos contribuintes

A iniciativa do Ministério da Educação, ou melhor do Primeiro-ministro, porque é quem se tem mais erguido na sua imposição, de pagar a internet móvel aos coitadinhos dos estudantes que já gastaram os seus parcos recursos na aquisição do telemóvel que é proibido nas escolas, constitui um autêntico insulto, não digo aos professores, porque eles estão ao corrente do que se passa, mas um insulto à ignorância da população que se esforça para pagar os seus impostos.
Técnicamente, a aquisição da internet móvel juntamente com cada computador portátil, não tem mais lógica do que a aquisição de um contador de electricidade para alimentar o mesmo computador.
Se o aluno já dispõe de contador de electricidade em casa e na escola, afinal onde é que se pretende que ele utilize o seu portátil? Só se for nalgum ambiente onde nem os encarregados de educação, nem os professores possam assistir aos conteúdos que ele pretende frequentar.
Porque a chamada banda larga, que o Primeiro-ministro não se cansa de apregoar aos quatro ventos com uma petulância de quem sabe que os seus ouvintes ignoram, a banda larga é acima de tudo isso mesmo, é a capacidade de poder ligar tantos computadores à mesma assinatura, quantos os portáteis que o mesmo quadro de electricidade pode suportar.
E as operadoras, essas perante a iniciativa do governo, não só ficam dispensadas de ser elas a explicar aos contribuintes o que é a banda larga, como ainda se dão ao luxo de embrulhar o portátil no mesmo pacote, tudo isso à custa da ignorância daqueles que ainda se vão deixando embalar na cantiga do choque tecnológico.

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Segunda-feira, Julho 14, 2008

Ellen Nakashima - Liga o iPhone, toda a gente saberá onde estás

iPhone

O lançamento do iPhone assinala a sofisticação crescente da indústria dos telefones celulares e dos dispositivos portáteis, mas levanta igualmente novas questões de privacidade. O iPhone combina funções de localização (GPS) com (pesquisas de) a internet por forma a identificar a posição do portador e mostrar os pontos de interesse próximos. Estas capacidades e a informação que geram podem ser usadas por publicistas para estudarem a colocação de anúncios, centros comerciais para atrair consumidores, delegados de seguros para ajustar prémios ou pais para saberem dos filhos. Contudo, muitos utilizadores poderão não se dar conta de que, ao partilharem esta informação, estão a criar registos permanentes nos operadores de telefones móveis, nos fornecedores de serviços da internet ou nos departamentos da polícia e de que a informação precisa da hora e lugar onde estiveram ficará à disposição de terceiras partes.
"Há uma barreira entre as nossas vagas impressões de que podemos ser observados e o conhecimento preciso de quem e quando alguém estará efectivamente a observar-nos, com que finalidade o faz e qual a extensão dos meios técnicos disponibilizados pelos operadores",
segundo o professor de ciências jurídicas Jennifer Urban da Universidade da Califórnia do Sul.

(Resumo mais completo em inglês aqui)


Ellen Nakashima in When the Phone Goes With You, Everyone Else Can Tag Along
publicado por Washington Post em 12 de Julho de 2008

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