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Sexta-feira, Julho 06, 2007

Resultados dos Exames Nacionais

Exames


Hoje, num dos telejornais das 20,00 h ouvi a ministra da Educação tecer alguns comentários sobre os resultados dos Exames Nacionais. É natural que ela fale, faz parte do folclore educacional com que este ministério nos tem vindo a presentear.

A parte que me interessou foi a correspondente aos resultados da prova de Física e Química A.
Revelou que foram muito fracos e que para o ano escolar que vem será necessário estabelecer estratégias ( se bem entendi! ) para melhorar o sistema de aproveitamente à semelhança do que fizeram em Matemática... Bem, senti que me agrediram no meu profissionalismo e que, grosso modo, a culpa é dos professores.

O que Lurdes Rodrigues não referiu, melhor dizendo, omitiu, foi que uma das perguntas da prova em questão não tinha solução possível, que o erro cometido não foi comunicado aos examinandos, que eles perderam tempo com a questão, baralhando conceitos. Mais, não disse que a cotação da questão não foi atribuída nas correcções, no seu valor total, mas que a nota final obtida foi multiplicada por um factor que poderia dar uma percentagem ou a totalidade da cotação da questão errada.
Por miúdos, à classificação obtida não foi somado o valor total da questão em todas as provas, só àquelas que tinham uma boa classificação.
Também não disse que os critérios de correcção foram apertadíssimos. Só assim se percebem os resultados tendo em conta que o teste era acessível.

Devo acrescentar que o programa é extensíssimo, são 2 anos de Física e 2 anos de Química, com grande número de actividades experimentais de carácter obrigatório e é de todo impossível fazer "revisões" do ano anterior de preparação para o exame final. O programa até é interessante mas de difícil exequibilidade. Isto é verdade, tanto que o próprio M.E. já disponibilizou mais 1 tempo para esta disciplina, para o ano lectivo que vai entrar.

Se acrescentarmos que não se consegue aproveitar todo o tempo disponível para trabalhar à conta da irrequietude constante dos alunos, teremos quase tudo dito.

Mais, o M.E. exige um desempenho rigoroso dos seus docentes e critica-os facilmente. Onde está essa exigência relativamente aos professores designados para executarem as provas de exame? Pelo que se sabe as equipas formadas dispõem de muito mais tempo do que nós, simples professores mortais, para realizar essas provas. Quantas vezes nós não temos senão um par de horas para executar um teste que se pretende correcto cientificamente, equilibrado no tempo e nas cotações, nos temas abordados, no encadeamento das questões?

Onde está o fiel da balança, Senhora Ministra? Nã há que aprender com os erros? Porquê escondê-los?
Admite-se o erro desta prova? Não se abre um inquérito para apurar responsabilidades?

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