O socialismo do idoso
O tema de hoje, é a discriminação que é imposta ao idoso no estado social, no momento em que fica viúvo (ou viúva).
Os governantes apreciam muito dissertar acerca dos porcentos de desconto nos medicamentos genéricos, e a populaça gosta de ouvir que afinal o seu voto foi parar àquela gentinha que é tão sensível aos seus verdadeiros problemas e expectativas.
Para efeitos de pagamentos de pensões, o estado social não distingue se o viúvo é arrendatário, ou o proprietário da residência que habita.
Mas para efeitos de impostos, que é um assunto de natureza muito mais íntima e reservada, aí a conversa é completamente diferente, e o estado social revela com a maior nitidez a sua natureza sinistra e implacável.
Se o viúvo é arrendatário, isto é, se anda a pagar a sua renda ao desgraçado do senhorio, aí está o estado social a apresentar-se como campeão do socialismo do idoso, condicionando a actualização da renda aos magros porcentos que são publicados anualmente na tabela anexa.
Mas se o viúvo se sacrificou a adquirir a sua própria habitação na expectativa legítima de usufruir de uma maior segurança nos anos vindouros, aí o caso muda completamente de figura, porque os impostos cobrados pelo estado não têm nada a ver com a tabela que é indexada aos particulares.
Ocorrendo o óbito de um dos cônjuges, o que se passa é que o viúvo é considerado herdeiro do património do casal, e aí temos a ocasião propícia para actualizar a avaliação do património.
O resultado é que os impostos podem ser multiplicados por dez de um ano para o outro, independentemente do viúvo ter ou não capacidade financeira para suportar esse aumento.
Mas o socialismo do idoso tem ainda um mecanismo que revela com requintes de malvadez a sua natureza verdadeiramente sinistra. Ao actualizar a avaliação do património, para efeitos de aumentar os impostos, o estado dá-se ao luxo de obrigar o viúvo a voltar a pagar o imposto do ano anterior, que já se encontrava pago, deduzindo-lhe o valor que já tinha sido pago antes da avaliação ser feita.
E isto, é se o viúvo possui apenas a casa que habita, porque se por acaso ele for senhorio de dois inquilinos, aí esse aumento dos impostos sobe de dez para trinta vezes, numa espiral que é capaz de esmagar sem contemplações, qualquer que seja a esperança legítima de um final de vida com alguma dignidade.
É o socialismo com o dinheiro do outro…
Etiquetas: política, socialismo, Vida real



1 Comentários:
Ó Zé! Para quê chamar insecto ou ortóptero, se só vemos um gafanhoto?
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