Servomecanismos
| Vã glória a minha, se quanto mostro Saco de tão mísera inteligência Como quero que me acompanhem Nessa farsa de eloquência Exerci artes de processamento Disso fiz meu ganha-pão Tanto lidei com tal invento Que já perdi toda a noção Em poucas linhas consigo dizer O pequeno mundo que me consumiu Sequências de letras são palavras E chega para acabar com o léxico Sequências de palavras são expressões Nada mais há na sintaxe (Claro que nem um só deslize Há máquina que me autorize, Desconhece os meus desígnios Só opera aquilo Que pedanticamente lhe dito) A semântica já nem me pertence É cumprida pelo mecanismo Ao executar a acção Em fluxogramas ordenados Desenho alternativas expectáveis Face a dados que desconheço Que me asseveram constituir O invisível mundo real (Até aceitava, sem objecção Que os chamassem Amostra insignificante De uma realidade tão distante Que nem mesmo sei se existe) Se me basta um valor, chamo função De contrário é uma rotina Se balançam são co-rotinas Se tornam à origem são sub-rotinas Cedo ao servo as ordenanças Aguardo então os resultados Contento-me com semelhanças Aos que foram antecipados Tanto poder sobre um servo Dá até uma vertigem Qual máquina? Qual memória programável? Qual simulação de inteligência? Qual maravilha tecnológica? Mais estúpida ainda que uma vassoura Não mais aguento a ordem, quero confusão Hoje não sou exército, sou multidão Não procuro governo, mas rebelião Empresa não, insubordinação Desígnio não, insurreição Música? Não, só barulhão Hoje sou uma explosão A besta soltou-se, não a controlo Não tenho tempo para adiamento Basta já, tanto sofrimento Como pode o animal Enfaticamente substantivo Sujeitar-se ao racional Servamente adjectivo? Publish Post Como exprimir a contradança Respeitando ambos? Resta-me uma esperança |
Etiquetas: especulações



2 Comentários:
Maravilha!
Um beijo
Ana
Não exageres.
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