Ana Camarra - Relembra-me

Relembra-me por favor essas histórias de mares revoltos
Ou aqueles frémitos de asas etéreas de pássaros migrantes
Relembra-me aquelas músicas que te encantaram
Ou o sorriso de outra mulher que te apaixonou
Relembra-me porque resolveste mergulhar nos meus olhos
Nos meus braços
Relembra-me a primeira gargalhada que partilhámos
Ou pelo contrário a primeira vez que o nosso olhar mergulhou no olhar do outro
De forma firme, de forma frágil ainda, mas trazendo consigo
Um reconhecimento
Relembra-me se foram os meus cabelos suados ou pelo contrário molhados
Com ar de algas marinhas, que te cativaram ou assustaram
Se foi um franzir de sobrolho que fiz
Ou o ar compenetrado com que corto os vegetais
Ou pelo contrário o ar abstraído quando mergulho no fundo dos meus pensamentos
Relembra-me como se estivesses a contar um conto a uma criança
Relembra-me o sabor do sal, do vento na face
Das carícias tímidas, dos abraços desesperados
Relembra-me essas coisas imperfeitas e conta-as
Como foram, porque a criança que guardo em mim
Precisa assim de um história de encantar
Ana Camarra, 3 de Janeiro de 2009



2 Comentários:
Obrigado António por achares que as minhas palavras mereciam um lugar aqui.
Beijos
Ana
A tua visita honra-me.
Bjs
Enviar um comentário
<< Home